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16/04/2018 - Fonte: Site ASAP Saúde

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Gestão da Saúde Populacional (GSP) não é apenas gestão de cases ou casos crônicos


O conceito propõe uma mudança na forma de tratar a saúde coletiva: à oferta de assistência médica somam-se também a implementação de metodologias abrangentes para a estratificação de riscos, coleta sistematizada de dados e, entre as ações mais urgentes, a integração dos serviços prestados pelos fornecedores da cadeia

Estudos internacionais mostram que, quando aplicada na sua integridade, a Gestão de Saúde Populacional (GSP) pode resultar em reduções de 30% a 50% dos custos essenciais. O conceito surge como oportunidade para as empresas, além de enxugar gastos, também direcionarem seus programas de forma mais assertiva e com benefícios a longo prazo – extrapolando a gestão de casos crônicos e a análise de casos isolados.

Alcançar esse potencial é, segundo os especialistas ouvidos pela Aliança para a Saúde Populacional (ASAP), uma questão de integrar as informações acumuladas pelos diferentes agentes da cadeia de saúde: planos, empresas, corretoras e consultorias. Ao setor privado, principal pagador dos serviços de saúde no Brasil hoje – 55% dos custos são arcados pelas empresas – cabe assumir um papel mais estratégico. “A informação é dele e é ele que precisa fazer fluir essa integração”, diz Luiz Monteiro, CEO da ePharma.

Mesmo com tanto a contribuir, a GSP ainda encontra dificuldades para ser integralmente implantada pelas empresas em seus processos de saúde. Realidade que poderia se transformada se gestores e CEOs fossem orientados a criar bancos de dados que sistematizassem todo o conhecimento já adquirido – tornando as informações acessíveis a todos os envolvidos.

São essas informações coletadas junto à população atendida (com base na natureza das medidas e nos resultados alcançados) que pode oferecer os inputs necessários para esse começo. “É possível estratificar a sua população em termos de risco”, afirma Monteiro. “E, com isso, passar a montar programas direcionados de acordo com as necessidades pessoais”. O executivo complementa com um importante recado: “Tem gente que já está pagando quase tudo isso, só é preciso integrar”.

Informações

Para promover essa integração, segundo observa Fabio Abreu, CEO da Health Centrix Inteligência em Saúde e Fundador da ASAP, é importante incluir alguns players, como empresas de bem-estar e planos de saúde. Uma vez que boa parte das informações necessárias podem ser fornecidas por esses agentes. “As administradoras de benefícios, as corretoras, têm muita informação na mão”, complementa o médico Rodrigo Demarch, Diretor de Saúde e Inovação da Mantris.

O caminho dessa contribuição deve ser pautado pela capilarização das informações, de forma que elas não fiquem disponíveis apenas para os níveis de alta gestão, mas também possam ser acessadas por aqueles que se encontram na ponta dos processos: os responsáveis pela administração cotidiana dos programas e benefícios.

Entre os aspectos positivos dessa troca mais fluída de dados está a chance de lançar luz sobre um dos grandes problemas da saúde corporativa hoje: o presenteísmo. Questão que, aponta Fabio Abreu, não tem aparecido nos contratos de planos de saúde tampouco é levada aos ambulatórios.

O resultado é um enorme risco à saúde dos colaboradores e à qualidade do seu rendimento. “O presenteísmo representa um custo elevadíssimo para as empresas porque as decisões são tomadas de forma errada”, alerta Fabio Abreu. “O profissional não está atento, pede outra reunião depois, vai ler o material em casa, aí não dorme direito e cria-se um ciclo vicioso”.

Rodrigo Demarch conclui chamando a atenção para duas palavras-chaves nesse processo: cuidado e inteligência. A primeira visa garantir a qualidade do serviço de saúde entregue à população atendida; enquanto que a segunda pode viabilizar importantes e necessárias transformações nos processos dessa entrega.

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