O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma data dedicada a promover a compreensão e o respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esclarecer o tema é essencial para combater preconceitos, garantir inclusão e melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas e suas famílias.
Neste guia completo, vamos apresentar informações fundamentais sobre o TEA, abordando o que é, quais são os sinais e características do transtorno. Também destacaremos iniciativas que ajudam a construir uma sociedade mais inclusiva. A conscientização é o primeiro passo para a mudança!
Qual é a origem do Dia Mundial da Conscientização do Autismo?
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 com o objetivo de promover o respeito aos direitos e à inclusão das pessoas com TEA. A data é celebrada anualmente no dia 2 de abril.
A iniciativa da ONU também visa ampliar o conhecimento sobre o TEA, um transtorno de neurodesenvolvimento que pode afetar a comunicação, a interação social e o comportamento de formas variadas. Essa variação levou à classificação do autismo como um espectro, oficializada pela American Psychiatric Association em 2013.
Desde sua instituição, a data é usada para sensibilizar a sociedade sobre os desafios e barreiras enfrentados pelas pessoas com autismo em áreas como saúde, educação e mercado de trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a importância de proporcionar informações, apoio adequado, acesso ao tratamento e inclusão.
Quais são os símbolos do autismo?
Os símbolos relacionados ao autismo desempenham um papel essencial na conscientização e na promoção de inclusão, ajudando a sociedade a entender melhor o Transtorno do Espectro Autista. Cada símbolo carrega um significado específico, que reflete características, desafios e a diversidade de pessoas com autismo. Confira os principais!
Quebra-cabeça
O quebra-cabeça é o símbolo mais conhecido do autismo e surgiu em 1963. Ele representa a complexidade e diversidade do TEA, sendo composto por peças de diferentes cores e formas que simbolizam as características únicas e variadas das pessoas autistas. Apesar de sua popularidade, algumas pessoas criticam seu uso por sugerir que o autismo é um enigma a ser resolvido, e não apenas uma condição diferente.
Cor azul
O azul é amplamente associado ao autismo, especialmente durante o mês de abril, conhecido como o mês da conscientização do autismo. Esse símbolo ganhou força principalmente por meio da campanha global Light It Up Blue (ilumine de azul), que ilumina monumentos e prédios pelo mundo. A cor azul é escolhida por transmitir calma, confiança e segurança, características valorizadas nas iniciativas voltadas para o autismo.
Fita de conscientização
A fita com peças de quebra-cabeça coloridas é outro símbolo importante, criada para representar a conscientização sobre o TEA. Suas cores vibrantes e variadas expressam a diversidade e o mistério que envolvem o autismo, enquanto as peças conectadas transmitem a esperança de que os desafios do transtorno possam ser compreendidos e acolhidos pela sociedade.
Logotipo da neurodiversidade
O símbolo do infinito colorido é considerado por muitos como um símbolo mais inclusivo e moderno. Criado por pessoas autistas, ele representa a diversidade infinita de expressões e características presentes dentro do espectro autista. Ao invés de focar em deficiência, o símbolo destaca a pluralidade e a riqueza das diferentes formas de ser e estar no mundo, promovendo a aceitação e a valorização das diferenças.
Coração com quebra-cabeça
O coração com um quebra-cabeça dentro é usado frequentemente em campanhas que promovem a aceitação e o respeito pelas pessoas com TEA. Este símbolo reforça a ideia de que o amor e a compreensão são fundamentais para acolher a diversidade do espectro autista.
Girassol
Você já deve ter visto o cordão de girassol. A flor é usada em acessórios para identificar pessoas com deficiências invisíveis, como o autismo. A escolha do girassol remete à ideia de luz e crescimento, simbolizando o desenvolvimento contínuo e a singularidade de cada pessoa autista.
O que é Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e na interação social, que se manifestam em diversos contextos. Esses déficits incluem dificuldades na reciprocidade social, na utilização de comportamentos comunicativos não verbais e na capacidade de desenvolver, manter e compreender relacionamentos.
Além dos desafios relacionados à comunicação social, o diagnóstico de TEA requer a presença de padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos. Essas características podem variar ao longo do desenvolvimento e, em alguns casos, serem mascaradas por mecanismos compensatórios. Por isso, o diagnóstico pode ser feito com base em informações históricas, mas é necessário que os sinais observados causem algum grau de prejuízo significativo na vida do indivíduo.
Como o autismo é diagnosticado?
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é realizado com base nos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, texto revisado (DSM-5-TR), publicado pela American Psychiatric Association. A análise considera características específicas relacionadas à comunicação social, padrões de comportamento e outros critérios que precisam ser atendidos para a identificação do TEA. Veja quais são!
Déficits na comunicação e interação
Os déficits devem se manifestar em diversos contextos e podem ser observados atualmente ou através da história do indivíduo.
- Déficits na reciprocidade socioemocional: inclui dificuldades em iniciar ou manter uma conversa normal, reduzido compartilhamento de interesses, emoções e afetos, e falhas em iniciar ou responder a interações sociais.
- Déficits na comunicação não verbal usada para interação social: abrange comportamentos como comunicação verbal e não verbal mal integrada, contato visual inadequado, linguagem corporal deficiente, dificuldade na compreensão e uso de gestos, e ausência de expressões faciais ou comunicação não verbal.
- Déficits no desenvolvimento, manutenção e compreensão de relacionamentos: engloba dificuldades em ajustar o comportamento a diferentes contextos sociais, problemas em compartilhar brincadeiras imaginativas, falta de interesse em fazer amigos e dificuldade em interagir com os pares.
Padrões restritos e repetitivos de comportamento
O diagnóstico requer que pelo menos dois dos seguintes critérios estejam presentes.
- Movimentos repetitivos e estereotipados: como enfileirar objetos, repetir frases (ecolalia), realizar movimentos corporais repetitivos e uso peculiar da fala.
- Insistência na mesmice: aderência inflexível a rotinas ou comportamentos ritualizados, sejam verbais ou não verbais.
- Interesses altamente restritos e fixos: forte apego a objetos incomuns, interesses muito específicos e intensos, e persistência em temas ou atividades fora do comum.
- Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais: reações incomuns a sons, texturas, luzes, cheiros, ou aparente indiferença a dor ou temperatura.
Presença precoce dos sinais
Os sinais devem estar presentes desde o desenvolvimento inicial, mas podem não ser completamente perceptíveis até que as demandas sociais se tornem mais complexas ou quando são mascarados por estratégias aprendidas na vida adulta.
Prejuízo significativo
As características devem causar prejuízos clinicamente significativos na vida social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Exclusão de outras condições
O diagnóstico de TEA não é mais bem explicado por transtornos do desenvolvimento intelectual ou atraso global do desenvolvimento. No entanto, é possível diagnosticar ambos quando a comunicação social está abaixo do esperado para o nível geral de desenvolvimento do indivíduo.
Quais são os níveis de autismo?
O Transtorno do Espectro Autista é classificado em diferentes níveis de gravidade pelo DSM-5-TR. Essa classificação tem como objetivo avaliar o grau de suporte necessário para o indivíduo, considerando suas dificuldades na comunicação social e seus comportamentos restritos e repetitivos.
Nível 1: requer suporte
Este é o nível mais leve do espectro. Pessoas classificadas neste nível apresentam alguma dificuldade em iniciar e manter interações sociais, além de apresentar comportamentos restritos e repetitivos que interferem minimamente na vida cotidiana.
Características
- Dificuldade em iniciar conversas ou manter interações sociais, especialmente em situações mais complexas.
- Comportamentos restritos e repetitivos que podem ser visíveis, mas não atrapalham significativamente a rotina.
- Necessidade de suporte moderado para melhorar as habilidades sociais e minimizar os comportamentos repetitivos.
Nível 2: requer suporte substancial
Neste nível, os desafios sociais e comportamentais são mais evidentes, interferindo de forma mais significativa na vida diária. As dificuldades na comunicação social são mais evidentes e os comportamentos restritos e repetitivos são mais intensos.
Características
- Comunicação verbal e não verbal limitada, dificultando interações sociais espontâneas.
- Comportamentos restritos e repetitivos evidentes, que interferem diretamente na adaptação social.
- Dificuldade considerável em lidar com mudanças ou interromper rotinas estabelecidas.
- Necessidade de suporte substancial para melhorar a comunicação e reduzir comportamentos repetitivos.
Nível 3: requer suporte muito substancial
É o nível mais severo do espectro, em que as dificuldades sociais e comportamentais são muito evidentes e afetam gravemente o funcionamento diário.
Características
- Pouca ou nenhuma fala compreensível e dificuldade extrema em iniciar interações sociais.
- Comportamentos restritos e repetitivos severos que interferem gravemente na vida diária.
- Alta sensibilidade a estímulos sensoriais, como sons, luzes e texturas.
- Dependência de suporte intenso e contínuo para conseguir realizar tarefas cotidianas.
Importância da classificação
A divisão em níveis permite que profissionais de saúde estabeleçam planos de intervenção mais adequados às necessidades individuais. É importante destacar que o diagnóstico do TEA é feito considerando as particularidades de cada pessoa, e os níveis podem variar ao longo da vida, especialmente com o apoio adequado e intervenções terapêuticas.
Quais são os sinais que indicam autismo?
Os sinais do Transtorno do Espectro Autista podem surgir nos primeiros dois anos de vida, mas em casos mais leves, só são identificados na idade escolar. Segundo o Manual MDS, as características variam de leves a graves e se dividem em grandes grupos: comunicação e interação social; padrões de comportamento; linguagem; inteligência/habilidades.
Sinais relacionados à comunicação e interação social
- Dificuldade em estabelecer contato visual: bebês podem ter contato visual atípico e crianças mais velhas podem evitá-lo durante interações sociais.
- Preferência por brincar sozinhas: crianças com TEA frequentemente não buscam interações sociais e podem ter dificuldades em fazer amigos.
- Problemas para entender sentimentos e expressões dos outros: dificuldade em interpretar humor, expressões faciais e emoções alheias.
- Conversas limitadas ou incomuns: uso repetitivo de palavras (ecolalia) ou falas memorizadas; dificuldade em manter diálogos naturais.
- Dificuldade em reconhecer falas inadequadas ou ofensivas: pode levar ao isolamento social devido à falta de compreensão dos códigos sociais.
Sinais relacionados a comportamento, interesses e atividades
- Resistência a mudanças: preferência por rotinas rígidas e resistência a novos alimentos, brinquedos ou arranjos de objetos.
- Comportamentos repetitivos: movimentos como balançar o corpo, agitar as mãos, girar objetos ou repetir ações sem motivo aparente.
- Interesses intensos e incomuns: fascínio por temas específicos, como objetos inanimados ou tópicos muito específicos (ex.: aspiradores de pó).
- Reações sensoriais atípicas: hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas, cheiros e até dor ou temperatura.
- Comportamentos autolesivos: algumas pessoas com TEA podem se machucar intencionalmente, como bater a cabeça ou se morder repetidamente.
Sinais relacionados à linguagem
Atraso na fala ou ausência de linguagem verbal: algumas crianças nunca desenvolvem a fala; outras aprendem tarde e de maneira incomum.
- Uso peculiar da linguagem: inversão de pronomes (usar “você” em vez de “eu”), falas mecânicas ou tom de voz incomum.
- Fala não interativa: a comunicação é usada mais para solicitar algo ou rotular objetos do que para compartilhar sentimentos ou ideias.
Inteligência e habilidades especiais
- Deficiência intelectual em alguns casos: muitas pessoas com TEA têm algum grau de deficiência intelectual, com desempenho melhor em testes motores e espaciais do que em testes verbais.
- Habilidades excepcionais: algumas pessoas têm talentos específicos, como habilidades musicais avançadas ou cálculos complexos, mas nem sempre conseguem aplicá-los de forma prática.
É importante destacar que as características podem variar bastante de pessoa para pessoa. Identificar sinais precocemente e procurar orientação especializada é fundamental para proporcionar suporte adequado e promover a inclusão e qualidade de vida.
Por que a conscientização sobre o autismo é importante?
A conscientização sobre o autismo é essencial para garantir o respeito aos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um dos marcos dessa evolução foi a publicação da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei 12.764 de 2012), que assegura a equiparação do TEA às demais deficiências para todos os efeitos legais.
O portal Autismo Legal destaca que existe uma série de direitos garantidos às pessoas com autismo com objetivo de proporcionar inclusão e condições adequadas de atendimento em todas as áreas (saúde, educação, trabalho, lazer e previdência). Conheça os principais.
- Saúde: a Agência Nacional de Saúde (ANS) estabelece um número mínimo de sessões terapêuticas para pessoas com autismo, mas essa quantidade pode ser ampliada mediante prescrição médica.
- Educação: as escolas, sejam públicas ou privadas, têm a obrigação de fornecer professor auxiliar quando necessário, sem custos adicionais para as famílias.
- Trabalho: empresas com mais de 100 funcionários devem incluir pessoas com deficiência em seus quadros funcionais, e isso abrange as pessoas com autismo.
- Transporte e lazer: pessoas com TEA têm direito a transporte gratuito municipal e interestadual, além de descontos em passagens aéreas e meia-entrada para eventos culturais.
- Previdência: pessoas com baixa renda podem acessar o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), além de isenção de impostos em casos específicos.
A carteira Ciptea
Um direito que merece destaque é a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Ela foi criada para garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no acesso a serviços públicos e privados, principalmente nas áreas de saúde, educação e assistência social.
A Ciptea está prevista na Lei 13.977/2020, conhecida como “Lei Romeo Mion”. Essa identificação facilita o atendimento preferencial e reduz barreiras impostas pelo desconhecimento e pela burocracia. É importante destacar que a pessoa com autismo tem direito a atendimento prioritário. Em função disso, estabelecimentos públicos e privados podem utilizar a fita quebra-cabeça, símbolo mundial da conscientização do TEA, para indicar a prioridade.
A luta contra o preconceito
Mesmo com tantos avanços, o desconhecimento sobre o autismo ainda leva à discriminação e à negação de direitos. De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão, discriminar uma pessoa com deficiência é considerado crime. Essa proteção legal é validada pela Lei 12.764/2012, que reconhece pessoas com TEA como pessoas com deficiência para todos os efeitos legais.
Como apoiar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo?
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é uma oportunidade para você contribuir ativamente na promoção dos direitos, da inclusão e da aceitação das pessoas com autismo. Pequenas atitudes fazem a diferença. Veja como apoiar essa causa!
1. Informe-se e compartilhe conhecimento
- Busque informações em fontes confiáveis sobre o autismo.
- Compartilhe conteúdos educativos nas suas redes sociais, grupos ou entre amigos e familiares.
2. Participe de campanhas e eventos
- Apoie iniciativas que iluminam prédios públicos ou monumentos com luz azul em abril.
- Compareça a eventos presenciais ou virtuais voltados para a conscientização sobre o TEA.
3. Respeite os direitos das pessoas autistas
- Conheça os direitos garantidos pela Lei 12.764/2012, como acesso à educação inclusiva, terapias, transporte gratuito, benefícios previdenciários e isenções fiscais.
- Defenda esses direitos em seu cotidiano e ajude a combater preconceitos e discriminações.
4. Promova ambientes inclusivos
- No trabalho, na escola ou em espaços de lazer, incentive práticas que acolham pessoas autistas, como adaptações no ambiente e atitudes respeitosas.
- Estimule ações educativas para que colegas, funcionários e estudantes saibam lidar melhor com as diferenças
5. Ofereça apoio às famílias
- Famílias e cuidadores de pessoas autistas precisam de suporte. Seja compreensivo e ofereça ajuda quando possível.
- Divulgue informações sobre grupos de apoio e redes de acolhimento.
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo reforça um compromisso coletivo que precisa ser fortalecido todos os dias. Quanto mais pessoas entenderem e respeitarem o TEA, mais oportunidades existirão para que cada indivíduo possa viver com dignidade e ter sua diversidade respeitada.
Quer ajudar essa causa? Compartilhe este conteúdo e ajude a disseminar informações corretas sobre o autismo!