Setembro Amarelo: pela valorização da vida e da saúde mental nas empresas
A valorização da vida é um compromisso coletivo e as empresas têm um papel essencial nesse processo. A campanha Setembro Amarelo, criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), reforça a importância de ambientes de trabalho que escutem, acolham e cuidem das pessoas.
Diante da necessidade crescente de reforçar a atenção à saúde mental nas organizações, o mês de setembro representa mais uma oportunidade de enfatizar o tema. Neste artigo, apresentamos dados recentes, fatores de risco, sinais de alerta e boas práticas que podem transformar a cultura de bem-estar corporativo em uma rede real de apoio.
O que é o Setembro Amarelo?
Setembro Amarelo é uma campanha nacional de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, realizada anualmente. Desde 2014, quando a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) se juntaram para promover o tema, a iniciativa busca quebrar tabus e reduzir estigmas, incentivando diálogos sobre sofrimento psíquico e valorização da vida.
A data de 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas as ações de conscientização se estendem pelo mês inteiro. Em ambientes institucionais, como as empresas, é importante que o assunto não fique limitado a uma campanha pontual. A promoção da saúde mental e a oferta de suporte psicológico devem ocorrer de forma contínua, conforme iremos esclarecer ao longo deste artigo.
A campanha é um importante instrumento de disseminação de informações capazes de proteger vidas. Um dos principais lemas divulgados no mês destaca esse papel da iniciativa: “Se precisar, peça ajuda!” Espera-se que as ações contribuam para que mais pessoas busquem auxílio especializado ou peçam o apoio de alguém de confiança. As organizações também podem oferecer esse tipo de orientação, principalmente aquelas que têm políticas consistentes de bem-estar e disponibilizam acesso a psicólogos, psiquiatras e profissionais da saúde especializados em saúde mental.
Ao conscientizar sobre prevenção do suicídio, a campanha reforça a importância de valorizar a vida e promover a saúde mental. Dessa forma, busca-se criar espaço para que pessoas passando por dificuldades emocionais se sintam seguras para falar sobre seus sentimentos e para procurar ajuda sem medo de serem julgadas.
No caso das empresas e organizações, isso significa adotar uma cultura que priorize o bem-estar, além de estar preparada para prestar o acolhimento adequado quando necessário. Nesse sentido, a campanha Setembro Amarelo é uma ocasião para discutir questões relacionadas à saúde mental, compartilhar informações, reforçar os valores da cultura organizacional, combater preconceitos e orientar as equipes sobre benefícios ou medidas de apoio que a empresa oferece.
A dimensão do problema
É essencial compreender a gravidade do problema que motivou essa campanha. O suicídio é reconhecido como um importante problema de saúde pública global, responsável por mais de 700 mil mortes por ano no mundo, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já figura como a quarta principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal, segundo dados divulgados pela Campanha Setembro Amarelo. Essas estatísticas explicam por que entidades internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Internacional de Prevenção do Suicídio, vêm mobilizando esforços de governos e sociedade para reverter esse quadro.
No Brasil, a situação também inspira preocupação. Anualmente, em torno de 14 mil pessoas perdem a vida por suicídio no país, segundo a ABP.
Em menos de uma década, de 2010 a 2019, houve um crescimento acumulado de 43% nos registros de suicídio no Brasil, segundo estudo desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Harvard. Esse crescimento contrasta com a tendência global de queda nas taxas (redução média de 36% entre 2000 e 2019), mas acompanha um fenômeno regional: nas Américas, as taxas de suicídio subiram 17% nesse mesmo período. O Brasil, inclusive, aparece entre os dez países com maior número absoluto de suicídios anuais no mundo.
Apesar desses dados alarmantes, ainda é preciso considerar que existem milhões de pessoas enfrentando sofrimento psíquico. Estimativas da OMS indicam que 15% dos adultos em idade de trabalho têm algum transtorno mental – mesmo que pontual – e que globalmente a depressão e a ansiedade custam cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade.
No Brasil, pesquisas chamam a atenção para a alta prevalência de transtornos como ansiedade e depressão: segundo a ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), 9 em cada 10 trabalhadores já manifestaram sintomas de ansiedade (de leve a incapacitante) e quase metade apresentou sinais de depressão.
Fatores de risco e sinais de alerta para o suicídio
Como parte da campanha Setembro Amarelo, a ABP e CFM conscientizam a população sobre fatores de risco e sinais de alerta para o suicídio. Essas informações têm o objetivo de orientar familiares, amigos, colegas de trabalho e líderes para que consigam reconhecer situações críticas e agir com empatia e responsabilidade.
Fatores de risco
Transtornos mentais
Praticamente todas as pessoas que cometeram suicídio apresentavam alguma condição psiquiátrica anterior, como depressão, distúrbio bipolar, esquizofrenia, transtornos de personalidade ou problemas relacionados ao uso de substâncias (álcool, maconha, crack, cocaína, entre outros). O diagnóstico e o tratamento médico especializado são essenciais na prevenção.
Histórico pessoal
Indivíduos que já tentaram suicídio anteriormente têm de cinco a seis vezes mais chances de realizar uma nova tentativa. Esse é considerado o principal fator de risco conhecido.
Fatores estressores crônicos ou recentes
Situações como separações, lutos, mudanças drásticas (como migração), falência, perda de emprego ou qualquer evento que gere sofrimento intenso podem desencadear pensamentos suicidas, especialmente se houver falta de suporte emocional.
Eventos adversos na infância e adolescência
Maus-tratos, abusos físicos, psicológicos ou sexuais, uso precoce de substâncias e ausência de apoio social na infância e na adolescência aumentam significativamente o risco de suicídio ao longo da vida. Queda no desempenho escolar também pode ser um indicativo precoce de sofrimento psíquico não diagnosticado.
Impulsividade
O suicídio pode ocorrer como um ato impulsivo, especialmente em jovens e adolescentes. A impulsividade tende a ser agravada pelo uso de álcool ou outras drogas, e pode ser desencadeada por eventos negativos pontuais.
Meios acessíveis
Ter acesso facilitado a armas de fogo, medicamentos em grandes quantidades ou locais elevados aumenta o risco de tentativas resultando em morte.
Presença de doenças graves ou crônicas
Condições médicas severas, como neoplasias em estágio terminal, são fatores que exigem atenção redobrada à saúde mental dos pacientes, com oferta de suporte psicológico contínuo.
Sinais de alerta
Ideação suicida expressa verbalmente
Comentários como “eu preferia estar morto”, “eu queria desaparecer” ou “caso a gente não se veja mais” são indicativos de que a pessoa pode estar pensando em suicídio. Nunca devem ser ignorados.
Comportamentos de despedida
Escrever cartas, publicar mensagens de despedida em redes sociais, doar objetos pessoais importantes, redigir testamentos inesperadamente ou fazer ligações incomuns dizendo “adeus” são comportamentos que podem sugerir preparação para uma possível tentativa.
Motivações aparentes ou ocultas
Frases que indiquem o desejo de acabar com a dor emocional, como “quero descansar” ou “não aguento mais sofrer”, também são considerados sinais de alerta relevantes.
Como as empresas podem promover a saúde mental e valorizar a vida
Diante de tudo isso, quais ações práticas as empresas podem adotar para apoiar a saúde mental dos colaboradores e reforçar o compromisso com os ideais do Setembro Amarelo? A seguir, listamos algumas estratégias recomendadas por especialistas e entidades como a OMS/OIT e o Ministério da Saúde.
Fomentar uma cultura de acolhimento
A medida mais importante é quebrar o silêncio sobre saúde mental dentro da organização. Líderes devem comunicar explicitamente que é seguro falar sobre sentimentos, dificuldades e buscar ajuda sem medo de punição ou ridicularização. Isso pode ser feito através de campanhas internas, depoimentos de executivos sobre a importância do tema e inclusão do assunto em diferentes ocasiões. Rodas de conversa e canais anônimos podem encorajar quem está sofrendo a pedir ajuda. É fundamental que seja realizado um trabalho consistente para que a saúde mental não seja tratada como um tabu pelas pessoas.
Treinar gestores e equipes para identificar sinais
Muitas vezes, colegas e especialmente gestores imediatos são os primeiros a notar quando algo não vai bem com um funcionário. Por isso, a OMS passou a recomendar o treinamento de gestores tanto para prevenir ambientes de trabalho excessivamente estressantes quanto para intervir de forma adequada junto a trabalhadores que estejam em sofrimento.
Empresas de diversos setores têm adotado cursos de “mental health first aid” (primeiros socorros em saúde mental), capacitando colaboradores a:
- reconhecer sinais de depressão, ansiedade, abuso de álcool e outras substâncias, além de ideação suicida;
- adotar ações imediatas para oferecer suporte, como escuta ativa e encaminhamento a profissionais especializados;
- promover um ambiente de trabalho mais acolhedor e atento ao bem-estar psíquico de todos.
Com isso, é possível agir de forma rápida e adequada sempre que um colega demonstra sofrimento mental.
Implementar políticas de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
A sobrecarga de trabalho e a dificuldade em desconectar são grandes vilões da saúde mental. Empresas comprometidas com o bem-estar estabelecem políticas claras para prevenir jornadas excessivas e garantir que os colaboradores tenham tempo para si e suas famílias. Isso inclui práticas como horário de trabalho flexível, possibilidade de home-office ou modelos híbridos (quando viável), incentivo a pausas regulares durante o expediente e respeito ao “direito à desconexão” fora do horário (evitando exigir respostas a e-mails ou mensagens à noite ou em fins de semana).
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em seu alerta de 2024 sobre saúde mental, reforçou a necessidade de incentivar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e até sugeriu pausas para descanso durante o expediente como uma boa prática. Essas iniciativas ajudam a prevenir o esgotamento e demonstram que a empresa valoriza a vida do funcionário além do trabalho.
Oferecer suporte psicológico e recursos de ajuda
Disponibilizar meios formais de apoio é essencial. Além de oferecer canais internos apropriados para receber e acolher as demandas dos colaboradores, é fundamental que a empresa tenha condições de encaminhá-las para atendimento especializado. Benefícios voltados à saúde mental, como orientação psicológica ou mesmo atendimento médico especializado, podem ser indicados. Também é útil divulgar amplamente serviços públicos e ONGs de apoio, a exemplo do CVV (Centro de Valorização da Vida), disponível pelo número de telefone 188 para qualquer pessoa que precise conversar em momentos difíceis.
Formar uma rede de apoio interna
Grupos de afinidade ou comissões de saúde mental, formados por empregados voluntários treinados, criam uma rede de apoio que atua como ponto de acolhimento e orientação inicial dentro da empresa (sem substituir profissionais da saúde, mas complementando o trabalho deles). O importante é que nenhum colaborador em sofrimento sinta que “não tem a quem recorrer”.
Promover ações de bem-estar no dia a dia
A prevenção também passa por incorporar atividades saudáveis na rotina de trabalho. Diversas organizações relatam benefícios ao oferecer, por exemplo, sessões de mindfulness, meditação ou yoga no ambiente profissional.
Essas práticas ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade, melhoram a concentração e podem ser feitas em pequenos intervalos, com profissional especializado ou até via apps. Programas de atividade física (ginástica laboral, grupos de corrida/caminhada patrocinados pela empresa, convênio com academias) também contribuem para a saúde mental, dado o impacto positivo dos exercícios no humor.
Outra ideia é instituir eventos regulares sobre o tema, como palestras educativas com psicólogos ou psiquiatras, workshops sobre gestão do estresse e semanas da saúde com diversas iniciativas. Importante: ações pontuais em setembro são válidas, mas não suficientes. Elas devem servir de ponto de partida para uma agenda permanente.
Revisar condições e organização do trabalho
De nada adianta uma empresa pintar o logo de amarelo em setembro e oferecer aulas de ioga, se as condições estruturais de trabalho levarem ao adoecimento. Um compromisso sério com a saúde mental inclui avaliar e melhorar aspectos organizacionais básicos: garantir que as cargas de trabalho sejam razoáveis e distribuídas de forma justa; combater o assédio ou discriminação; mitigar situações que levem ao estresse crônico; entre outros pontos. A Norma Regulamentadora NR-01 atualizada exige que as empresas identifiquem riscos psicossociais e adotem medidas de controle.
Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho exige mais do que campanhas esporádicas. Pede escuta, coerência e ação. Para promover uma cultura de valorização da vida é preciso criar um espaço onde cada pessoa se sinta respeitada em sua individualidade e apoiada em suas vulnerabilidades. A campanha Setembro Amarelo pode simbolizar o começo dessa jornada, mas o cuidado precisa ser contínuo, estruturado e legitimado pelas lideranças.
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