O mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, voltada à conscientização sobre o câncer de colo do útero. A mobilização reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso à vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Sistema Único de Saúde (SUS), principal estratégia para reduzir novos casos da doença no país.
De acordo com o INCA, o câncer de colo do útero está entre os tipos mais incidentes entre mulheres brasileiras. Apesar do impacto que ele causa, trata-se de um câncer que pode ser prevenido com vacinação e rastreamento adequados.
Segundo estimativas nacionais recentes, o Brasil registra milhares de novos casos por ano, o que mantém a doença entre as principais causas de morte por câncer na população feminina, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Esses números reforçam que, embora seja evitável, o câncer de colo do útero ainda representa um desafio relevante para a saúde pública.
A incidência mais elevada em regiões com menor acesso a serviços de saúde demonstra que informação, vacinação e rastreamento precisam caminhar juntos para reduzir desigualdades. Quando há acesso regular ao exame preventivo e alta cobertura vacinal, a tendência é de queda consistente nos casos ao longo dos anos.
O que é o câncer de colo do útero
O câncer de colo do útero se desenvolve na parte inferior do útero, região que liga o órgão à vagina. Em mais de 90% dos casos, está associado à infecção persistente pelo papilomavírus humano, o HPV.
O HPV é um vírus comum e sexualmente transmissível. Muitas pessoas entram em contato com ele ao longo da vida e, na maioria das vezes, o próprio organismo elimina a infecção. No entanto, quando o vírus permanece por anos no corpo, pode provocar alterações celulares que evoluem para lesões precursoras e, posteriormente, para o câncer.
A evolução do câncer de colo do útero costuma ser lenta, podendo levar anos entre a infecção persistente pelo HPV e o desenvolvimento de lesões mais graves. Essa característica torna o rastreamento periódico uma ferramenta bastante eficaz, já que permite identificar alterações ainda em estágio inicial.
Entre os fatores de risco associados estão o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e baixa adesão ao exame preventivo.
Principais sintomas do câncer de colo do útero
Nas fases iniciais, a doença normalmente não apresenta sinais. Quando surgem, os sintomas do câncer de colo do útero podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, dor durante a relação sexual e corrimento persistente.
Em fases mais avançadas, podem ocorrer sangramentos após a menopausa, dor pélvica contínua e desconforto durante atividades cotidianas. Como esses sinais podem ser confundidos com outras condições ginecológicas, a avaliação médica é essencial sempre que houver alterações persistentes.
A ausência de sintomas no início da doença é um dos principais motivos pelos quais o rastreamento regular é tão importante. Esperar o aparecimento de sinais pode levar ao diagnóstico tardio e exigir tratamentos mais complexos.
Março Lilás: mobilização para dar visibilidade ao tema
O Março Lilás integra o calendário nacional de campanhas de saúde e tem como foco ampliar o conhecimento da população sobre prevenção, vacinação e rastreamento da doença.
A mobilização é apoiada por órgãos públicos e instituições de saúde e tem como objetivo ampliar a visibilidade do tema, estimular a vacinação contra o HPV e reforçar a importância do diagnóstico precoce.
Durante o mês, unidades da rede pública de saúde intensificam orientações sobre a vacina contra o HPV e o exame preventivo, além de promover ações educativas para esclarecer dúvidas e combater informações incorretas.
Ao concentrar esforços de comunicação em um período específico, o Março Lilás amplia o alcance das informações oficiais e contribui para aumentar a adesão às estratégias de prevenção recomendadas no país.
A campanha também estimula o diálogo entre profissionais de saúde e comunidade, criando espaços para esclarecimento de dúvidas e enfrentamento de mitos. Em um cenário de circulação de fake news sobre vacinas, esse contato direto se torna ainda mais relevante.
Calendário nacional de campanhas de saúde
O calendário de campanhas organiza temas prioritários de saúde pública em diferentes meses, facilitando a comunicação com a população. Outubro Rosa destaca a prevenção do câncer de mama, Novembro Azul amplia o debate sobre saúde do homem, Janeiro Branco chama atenção para a saúde mental e Fevereiro Roxo e Laranja aborda doenças crônicas e raras.
Esse modelo de mobilização contínua contribui para criar uma cultura de prevenção, reforçando que o cuidado com a saúde não deve ocorrer apenas diante de sintomas, mas de forma planejada e regular.
Vacina contra o HPV: prevenção segura e gratuita
A vacina contra o HPV é uma das principais ferramentas para reduzir a incidência do câncer de colo do útero. Ela protege contra os tipos do vírus mais associados à doença, especialmente os subtipos 16 e 18.
No Brasil, o SUS oferece a vacina gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
A indicação nessa faixa etária ainda gera dúvidas entre alguns pais e responsáveis. No entanto, a definição segue recomendação técnica do Ministério da Saúde, que aponta maior resposta imunológica quando a aplicação ocorre antes do início da vida sexual e, portanto, antes de eventual exposição ao vírus.
A vacina contra o HPV passou por avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de ser incorporada ao calendário nacional. Seus efeitos seguem sendo monitorados continuamente mesmo após sua implementação.
Atualmente, a combinação entre ampla cobertura vacinal e rastreamento por meio do exame preventivo é a base para reduzir casos e mortes por câncer de colo do útero.
Estudos internacionais já mostram que países com alta cobertura da vacina contra o HPV registram queda expressiva nas infecções pelos principais subtipos do vírus, além de redução nas lesões precursoras do câncer. Esses resultados ajudam a assegurar a eficácia da estratégia de imunização em larga escala.
Por que a vacina contra o HPV também é indicada para meninos
A vacinação contra o HPV não protege apenas meninas. Meninos também podem desenvolver doenças associadas ao vírus, como câncer de pênis, ânus e orofaringe, além de verrugas genitais. Ao incluir meninos na estratégia de imunização, o SUS amplia a proteção individual e coletiva, reduz a circulação do vírus na população e fortalece a prevenção de diferentes tipos de câncer relacionados ao HPV.
Como as vacinas são testadas e acompanhadas
Antes de serem aprovadas para uso irrestrito na população, as vacinas passam por várias fases de desenvolvimento, que incluem estudos laboratoriais e testes clínicos rigorosos. Nessas etapas, elas são avaliadas do ponto de vista de segurança, eficácia, dosagem adequada e possíveis reações adversas.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por analisar os dados apresentados pelos fabricantes e autorizar o uso apenas quando há comprovação científica suficiente. Mesmo após a incorporação ao calendário oficial, o monitoramento continua por meio de sistemas de vigilância que acompanham eventos adversos e garantem rastreabilidade.
Esse processo contínuo de avaliação é o que sustenta a confiança nas vacinas oferecidas pelo SUS, incluindo a que protege contra o HPV.
O papel do exame preventivo
Mesmo com a vacinação, o exame preventivo continua sendo indispensável. O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico do colo do útero, é o principal método de rastreamento da doença.
O procedimento é feito durante a consulta ginecológica. O profissional coleta uma amostra de células do colo do útero para análise em laboratório. O objetivo é identificar alterações celulares antes que evoluam para o câncer, em um estágio em que a doença, muitas vezes, ainda nem apresenta sintomas.
O exame deve ser realizado por mulheres entre 25 e 64 anos que já tenham iniciado a vida sexual. A orientação é que seja feito anualmente nos dois primeiros anos. Se ambos os resultados forem normais, a periodicidade passa a ser a cada três anos.
Mesmo mulheres vacinadas devem manter o acompanhamento periódico, pois a vacina não substitui o rastreamento. A vacinação e o exame são essenciais para reduzir casos e mortes pela doença.
A realização regular do exame é uma medida simples e acessível, já que ele está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.
Acesso pelo SUS e responsabilidade compartilhada
O SUS desempenha papel central na prevenção, mas as empresas também podem contribuir ao reforçar seu papel na promoção da saúde. Isso inclui incentivar a vacinação, divulgar campanhas e estimular o cuidado contínuo entre colaboradoras e colaboradores.
A prevenção é um compromisso coletivo que envolve poder público, iniciativa privada e sociedade. Quando diferentes setores atuam de forma integrada, o impacto das ações tende a ser ampliado, alcançando públicos que, muitas vezes, não procurariam espontaneamente os serviços de saúde.
Informação e prevenção como aliadas
Manter a carteira de vacinação atualizada, acompanhar a saúde ginecológica e buscar orientação profissional são atitudes que fazem diferença concreta na vida das mulheres. Se o cuidado é contínuo, as chances de diagnóstico precoce aumentam e os impactos da doença diminuem.
Março é o mês de conscientização, mas a prevenção precisa fazer parte da rotina ao longo de todo o ano. Informação baseada em evidências, acesso facilitado aos serviços de saúde e decisões orientadas por profissionais são pilares fundamentais para reduzir o impacto do câncer de colo do útero.
Nesse cenário, iniciativas que promovem o cuidado contínuo também ganham relevância. O Oxy, da epharma, integra soluções voltadas à gestão de benefícios de saúde e ainda facilita o acesso a medicamentos e outros recursos. Assim, apoia empresas e colaboradores na construção de uma cultura de prevenção. Ao conectar tecnologia, orientação e acesso a um amplo portfólio de serviços, a plataforma contribui para que o cuidado não fique restrito a campanhas pontuais, mas se transforme em prática permanente no dia a dia.


















